Como montar a tabela de preços do estacionamento sem copiar a do vizinho
Da conta do custo da vaga-hora ao valor da diária: o passo a passo para montar um tarifário que cobre o custo, respeita a lei e não afugenta o cliente.

Neste artigo
- 1. Comece pelo custo da vaga-hora
- 2. Descubra o seu giro antes de definir qualquer valor
- 3. Os componentes que a tabela de preços precisa ter
- 4. Como definir cada valor da tabela
- 5. As três armadilhas que aparecem em quase todo pátio
- 6. Tire a tabela da cabeça do operador
- 7. O que a lei exige de você
- 8. Publique, meça e ajuste uma variável por vez
- Exemplo de tabela de preços pronta
- Resumo do passo a passo
Montar a tabela de preços do estacionamento é a decisão que mais afeta o faturamento do pátio — e é a que mais se toma no chute. A maioria dos tarifários que eu vejo nasceu do mesmo jeito: alguém olhou o que o concorrente da esquina cobrava, tirou cinquenta centavos e pendurou a placa. Funciona até o dia em que o aluguel sobe, a folha aumenta e ninguém sabe dizer se o pátio ainda dá lucro — porque o preço nunca teve relação com o custo.
Tabela de preço não é chute nem cópia. Ela sai de três números que só você tem: quanto custa manter uma vaga aberta, quanto tempo o cliente fica e quantas vezes a mesma vaga é vendida por dia.
Este guia monta a tabela do zero, com as contas na mão.
1. Comece pelo custo da vaga-hora#
Antes de decidir quanto cobrar no estacionamento, você precisa saber quanto custa ter uma vaga disponível durante uma hora. É o seu piso — abaixo dele, movimento não vira lucro.
Some todo o custo fixo mensal do pátio: aluguel, folha com encargos, energia, água, segurança, seguro, manutenção, sistema, contador, impostos fixos. Depois calcule a capacidade real:
Custo da vaga-hora = custo fixo mensal ÷ (vagas × horas de operação no mês × ocupação média)
O erro clássico é dividir pela capacidade total, como se o pátio vivesse cheio. Ele não vive. Use a ocupação que você realmente tem — e, se ainda não mede, comece por 50%.
Um exemplo com números redondos, só para mostrar a mecânica:
| Item | Valor |
|---|---|
| Custo fixo mensal | R$ 28.000 |
| Vagas | 60 |
| Operação | 12h/dia × 26 dias = 312h |
| Capacidade bruta | 60 × 312 = 18.720 vaga-hora |
| Ocupação média | 50% → 9.360 vaga-hora vendáveis |
| Custo por vaga-hora | R$ 2,99 |
Esse é o número que sustenta tudo. Se a sua primeira hora está em R$ 8 e o custo da vaga-hora é R$ 2,99, você sabe exatamente qual é a margem — e sabe também quanto pode ceder numa promoção sem operar no vermelho.
2. Descubra o seu giro antes de definir qualquer valor#
Dois pátios com o mesmo custo precisam de tabelas diferentes se o público é diferente. O que mudou? O giro — quantas vezes a mesma vaga é vendida no dia.
- Centro comercial: permanência de 1 a 2 horas, giro alto. O dinheiro está na primeira hora.
- Hospital e faculdade: permanência de 4 a 8 horas, giro baixo. O dinheiro está na hora adicional e na diária.
- Bar e casa noturna: permanência longa, em faixa de horário curta. O dinheiro está no valor fechado por período.
Meça antes de precificar: anote por duas semanas o horário de entrada e saída de cada veículo. Você vai descobrir o tempo médio de permanência e quantos carros passam por vaga a cada dia. Se ainda faz esse controle no papel, a planilha de controle de estacionamento já serve para levantar esses números. Sem eles, qualquer tabela é palpite.
3. Os componentes que a tabela de preços precisa ter#
Uma tabela incompleta não é mais simples — ela só empurra a decisão para o operador no balcão, com a fila andando. Estes são os componentes, e o que cada um protege:
| Componente | O que ele protege |
|---|---|
| Tolerância | O cliente que só entrou para perguntar um preço |
| Primeira hora (ou fração inicial) | O custo do giro da vaga |
| Hora adicional / fração | A permanência longa, sem punir demais |
| Diária | O teto: evita conta absurda e dá previsibilidade |
| Pernoite | A vaga bloqueada na madrugada, sem giro |
| Mensalista | A receita previsível que paga o custo fixo |
4. Como definir cada valor da tabela#
Tolerância. Costuma ser 15 minutos, e em muitas cidades isso é exigido por lei municipal — verifique a sua. Cuidado com o excesso de generosidade: tolerância de 30 minutos num pátio de centro comercial mata boa parte da receita de giro rápido.
Primeira hora. É onde o pátio rotativo ganha dinheiro. Ela precisa cobrir o custo da vaga-hora mais o custo do próprio giro: o operador que registra a entrada, imprime o ticket e cobra na saída trabalha igual para quem fica uma hora e para quem fica oito.
Hora adicional. Normalmente entre 40% e 60% da primeira hora. Muito alta, empurra o cliente para a diária cedo demais. Muito baixa, transforma sua vaga em garagem barata.
Diária. Aqui mora o erro mais caro, e ele tem uma regra simples: a diária precisa custar mais do que a permanência média do seu público. Se o cliente típico fica 3 horas e a sua diária equivale a 3 horas, todo mundo vai ficar o dia inteiro pagando o mesmo — e o seu giro morre. Na prática, uma diária saudável fica entre 4 e 6 primeiras horas.
Pernoite. Não é desconto, é o oposto: durante a madrugada a vaga não gira, então ela precisa se pagar sozinha.
Mensalista. Calcule pelo custo de oportunidade: quanto aquela vaga renderia no rotativo durante o mês. Se render R$ 600 e você cobra R$ 250, cada mensalista está custando R$ 350 por mês.
5. As três armadilhas que aparecem em quase todo pátio#
A diária que canibaliza o giro. Já explicada acima, e é a que mais dói: o pátio fica cheio, o operador não para, e o faturamento não sobe.
A primeira hora "promocional". Baixar a primeira hora para atrair movimento funciona em shopping, onde o estacionamento é meio para outra coisa. Em pátio rotativo, é onde você ganha — baratear ali é abrir mão da receita principal.
A fração cobrada como hora cheia, sem avisar. Se 1h10 vira duas horas na conta, isso precisa estar escrito na placa. Não estando, você trocou alguns reais por uma discussão no caixa, um cliente perdido e um risco de reclamação.
6. Tire a tabela da cabeça do operador#
Uma tabela bem calculada só vale se for aplicada igual em todo turno. Enquanto a regra de cobrança depender de alguém lembrar quanto custa a terceira hora numa quinta à noite, o preço vira negociação de balcão — e a diferença sai do seu caixa, não do bolso de quem negociou.
É por isso que a tarifa precisa morar no sistema, não numa placa e na memória da equipe. No NuvemPark, você cadastra primeira hora, hora adicional, diária, pernoite e tolerância uma vez, e o cálculo da saída sai pronto para o operador — sem conta de cabeça e sem margem para "faz por dez". Se estiver avaliando ferramentas, vale ler o que um sistema para estacionamento precisa ter antes de escolher.
7. O que a lei exige de você#
Três pontos que valem para qualquer pátio no Brasil:
- A tabela precisa estar visível na entrada, com todos os valores e condições. O Código de Defesa do Consumidor trata informação clara sobre preço como direito básico — e uma tabela incompleta é informação incompleta.
- Verifique a lei do seu município. Tolerância mínima e cobrança por fração são reguladas em nível municipal, e variam bastante de cidade para cidade.
- Você responde pelo veículo. A Súmula 130 do STJ é clara: a empresa responde perante o cliente por furto ou dano ao veículo ocorrido em seu estacionamento. Isso é custo de operação, e deveria estar embutido no preço — via seguro, câmeras ou registro fotográfico de avarias na entrada.
8. Publique, meça e ajuste uma variável por vez#
Tabela boa não nasce pronta. Depois de publicar, acompanhe por pelo menos um mês:
- Ocupação por faixa de horário — mostra se falta preço no pico ou sobra vaga no vale
- Tempo médio de permanência — se subir muito, sua diária provavelmente está barata
- Receita por vaga por dia — o número que resume se a mudança funcionou
Esses três números saem sozinhos quando cada entrada e saída vira registro — é o mesmo princípio de controlar o faturamento sem depender do operador.
E mude uma coisa de cada vez. Ajustar diária e hora adicional na mesma semana garante que você não vai saber qual das duas causou o efeito.
Exemplo de tabela de preços pronta#
Pátio rotativo de centro comercial, 60 vagas, custo de vaga-hora de R$ 2,99, permanência média de 2 horas:
| Faixa | Valor |
|---|---|
| Até 15 minutos | Cortesia |
| Primeira hora | R$ 9,00 |
| Hora adicional | R$ 4,50 |
| Diária (12h) | R$ 45,00 |
| Pernoite | R$ 25,00 |
| Mensalista | R$ 380,00 |
Repare na relação: a diária equivale a cinco primeiras horas, bem acima da permanência média de duas — o giro está protegido. E a hora adicional é metade da primeira, que é o que mantém a permanência longa viável sem virar convite.
Os valores acima são ilustrativos. Refaça as contas com os seus números — é justamente esse o ponto do artigo.
Resumo do passo a passo#
- Levante o custo fixo mensal e calcule o custo da vaga-hora com a ocupação real
- Meça permanência média e giro por pelo menos duas semanas
- Defina os seis componentes da tabela, nunca só "a hora"
- Confira se a diária custa mais que a permanência média do seu público
- Exponha a tabela completa na entrada e cadastre a regra no sistema
- Acompanhe ocupação, permanência e receita por vaga e ajuste um valor por vez
Com esses seis passos, a sua tabela deixa de ser cópia da placa do vizinho e passa a ser uma decisão de negócio — que você consegue defender com número quando alguém perguntar por que a diária custa o que custa.
Perguntas frequentes
Quanto devo cobrar na primeira hora do estacionamento?
Como calcular a diária do estacionamento?
A tolerância de 15 minutos é obrigatória?
Vale a pena ter mensalista no pátio?
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